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Compartilhando experiências em comunicação e marketing digital.

Futuro: como serão os novos blogs?

Futuro: como serão os novos blogs?

Há muitas dúvidas relacionadas aos blogs. Alguns blogueiros influentes, como Andrew Sullivan, chegaram a decretar sua morte, mas acredito que eles não estão acabados, mas evoluindo para algo diferente.  Venho acompanhando alguns, principalmente dos Estados Unidos, e percebo que eles estão se transformando em espaços em que se deve pagar pela informação de qualidade.

Os blogs surgiram com a bandeira de compartilhar conhecimento gratuitamente. É controversa a atribuição do primeiro blog até porque no início não acoplava todas as ferramentas de hoje, nem mesmo tinha o nome “blog”, que só surgiu depois. Mas atribuirei a façanha a Justin Hall, o Links.net, de 1994. Outros autores atribuem o primeiro blog a Dave Winer, o – Scripting News, de 1997, mesmo ano de criação da Blogger, que existe até hoje, e foi a primeira ferramenta online para a criação de um blog, comprada pela Google em 2003, com mais de um milhão de usuários registrados.

O potencial dos blogs, porém, só foi revelado em 2002, durante a Invasão do Iraque, quando Salam Pax publicou sua própria experiência de Guerra no blog (dear_raed.blogspot.com). Apenas em 2003 surge a primeira versão oficial do WordPress para disputar o mercado com a Blogger.

Futuro dos blogs

Os primeiros blogs se caracterizaram por ser uma espécie de diário virtual em que os blogueiros relatavam acontecimentos de suas vidas, sem aprofundar muito. Com o tempo, alguns começaram a se profissionalizar ao escrever sobre um tema específico e aprofundar o conteúdo. Surgiram, então, blogs de qualidade sobre moda, viagens, gastronomia… Como os textos eram relevantes, estes espaços começaram a se posicionar na primeira página do Google, a ter muitos visitantes diários e a ganhar dinheiro por meio de parcerias com marcas e/ou com o uso do Adsense, lançado pela Google em 2003 permitindo a publicidade dentro dos blogs.

Blog da Thassia

O blog da Thassia, focado em moda, é um case de sucesso

As empresas atentas a este movimento resolveram investir também na criação de seus próprios conteúdos, uma das pioneiras foi a Microsoft, que possui blogs de praticamente todos os seus produtos e serviços, como Skype e Bing, Office, sem contar os institucionais.

Atualmente, a geração de conteúdo para blogs faz parte da estratégia de muitas corporações, em especial, os sites de compras, pois, por meio desta ferramenta, as marcas conseguem se tornar referência em seu segmento e até apresentar e vender produtos.

CONCEITO DE BLOG

Um grande problema nesta discussão é definir o que é o BLOG. Há exemplos como o Hypness criado por um grupo com interesse de torná-lo um negócio; blogs feitos individualmente para compartilhar informações sobre assuntos específicos;  blogs das grandes mídias, blogs de jornalistas que colocam informações que não couberam no espaço físico do jornal ou da revista ou no tempo da TV,  e ainda blogs corporativos, criados por empresas. Mas os pontos em comum são atualização e o fato de ser uma ferramenta de comunicação única, ao contrário das redes sociais, em que o conteúdo não é propriedade de seu autor.

Ezra Klein, um dos primeiros jornalistas a construir sua carreira por meio de blogs disse certa vez que eles estão ficando bons em servir uma audiência enorme e abandonando as reais necessidades de informação de seus leitores fieis. Isso é bom para os blogs que dependem de publicidade, que exige um grande número de leitores e uma quantidade enorme de dados.

No entanto, alguns blogueiros estão convencidos de que há uma compensação quando se trata de modelo de negócio pago, em fazer algo escasso, mesmo que para um número mais limitado de leitores. Alguns blogueiros que cobrem nichos de mercado e entregam valor em seu conteúdo já estão utilizando esta estratégia, pois preferem escrever para quem realmente se importa do que colecionar moedas de todos por meio do Adsense.

COMPARTILHAR INFORMAÇÕES (SHARE)

Como falei anteriormente, os blogs nasceram com a ideia do livre compartilhamento das informações, uma filosofia muito sólida. Mas será que realmente as pessoas valorizam as informações gratuitas? É sabido que quando alguém paga por alguma coisa, mesmo que uma quantidade pequena, seu nível de participação e dedicação é maior do que algo gratuito.  A audiência é menor, mas há mais atenção de uma comunidade específica.

Alguns blogs como o stratechery possui uma comunidade de mais de 2 mil assinantes de newsletter. O valor mensal é de $10 por mês ou $100 por ano. Muitos preferem assim a encherem seus blogs com links e banners patrocinados do Adsense.

blogs pagos

No entanto, para outros blogueiros ainda é muito forte a filosofia do compartilhar gratuitamente e são extremamente contra a cobrança em troca da informação. Eles optam por outro caminho, o suporte por meio dos próprios seguidores, que gostam do conteúdo e podem doar valores mensais  ou esporádicos, como o blog da Aline Valek, em que todos têm acesso aos posts.

Pague a autora

 

LIÇÃO DA APPLE

Um dos motivos que deu força a ideia de se cobrar pequenos valores para o conteúdo produzido é o case da Apple Store. Há muitos aplicativos gratuitos lá, a maioria, mas há também muitos aplicativos pagos, muitos deles por $ 0,99. O público está sendo treinado a fazer  micro-compras para o que é, essencialmente, conteúdo.

Com a relevância do mobile pode ser que ele esteja criando a cultura de pequenos pagamentos por um conteúdo que o usuário realmente valoriza. Claro que se trata de um micro-pagamento anual ou mesmo um único, mas é um começo…

 TRANSFORMAÇÃO CONTÍNUA

Muitos blogueiros atuam hoje por meio de parcerias com empresas e criando seus próprios produtos e serviços. É muito comum a captação de e-mail dos leitores para que o contato permaneça com a divulgação dos posts e a permanência da influência, palavra-chave neste caso.

A transformação do blog decorre mais de sua função do que de seu formato, muito por conta do fortalecimento das redes sociais. Se no começo dos anos 90 havia apenas os blogs para expressar sentimentos, compartilhar fotos e links, agora há também o Twitter, Snapchat, Facebook, Instagram, Medium…

O mapa das redes sociais criado pelo site stratechery.com conta a história da mídia social, particularmente os serviços voltados ao público – é uma história de desagregação do velho modo de fazer blog. O twitter substituiu os links posts, o Instagram substituiu as imagens e o Facebook substituiu álbuns e a barra de rolagem. Agora, o Medium vem substituindo o ensaio. Isso não é ruim porque bilhões de pessoas podem se expressar de uma maneira muito mais simples graças a usabilidade das redes sociais focadas em um aspecto particular da comunicação. O que antes os blogs concentravam agora estão espalhados nas redes sociais, o que remete ao fato de os blogs terem que buscar cada vez mais qualidade em seu conteúdo.

Mapa da comunicação social do stratechery.com

Mapa da comunicação social do stratechery.com

NOVOS FORMATOS DE BLOGS, ALÉM DO WORDPRESS

Algumas empresas estão pensando novas formas de blogs. Em 2007 foi lançada a Tumblr, plataforma de microblogging pela qual os usuários podem compartilhar conteúdo entre si.

No final de 2012 foi criada a Medium pela Obvious– empresa que abriga as mentes de Evan Williams e Biz Stone, criadores do Twitter e, mais importante neste caso, também da Blogger.

O Medium não é exatamente um blog, mas uma mistura de blog e rede social. Ao fim de cada texto publicado no Medium, há três sugestões de textos relacionados.

Ao contrário de um blog no WordPress, não há páginas de “About Me”, nem side bars com os posts mais lidos.  O foco é no texto. Quanto mais curtidas, mais relevância.

São propostas diferentes que tendem a transformar a forma do blog de hoje. Vale o exercício de se posicionar à frente para tentar prevê como as pessoas lerão blogs no futuro, e, se lerão. Pensar no futuro do blog é apenas uma provocação, é algo que tenho pensado constantemente.

E você, acredita que os blogs pagos podem ser uma saída?

Fontes:

https://stratechery.com/2015/bloggings-bright-future/

http://www.blogmarketingacademy.com/future-blogging/

 

Francilene Oliveira

Sou co-fundadora do Dna Digicom e iniciei este blog compartilhando minhas experiências profissionais em comunicação e marketing digital. Já trabalhei em empresas como AG2 Publicis e a consultoria de varejo GS&MD - Gouvêa de Souza. Atualmente, trabalho na comunicação digital de um e-commerce. Sou Mestre em Comunicação pela UMESP e professora do MBA em Mídias Digitais da Estácio e do MBA em Marketing e Vendas da Uniderp.

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