
Este texto não dá respostas prontas. É mais um exercício de reflexão para as empresas se planejarem em tempos de mudanças cada vez mais velozes. Vamos lá?
Debate: Google X Facebook
O desenvolvimento da internet fez com que as pessoas tivessem mais acesso à informação e quebrassem barreiras. No decorrer dos anos, algumas empresas se sobressaíram, a exemplo da Google. Fundada em 1998, sua atuação foi, desde o início, funcionar como uma ferramenta de pesquisa dentro de grandes portais como AOL e MSN.
Por meio de buscas, a Google direcionava para outros sites de conteúdo. Este modelo foi se aprimorando e as pesquisas ganharam mais espaço e tráfego. A Google tornou-se, assim, uma gigante da publicidade digital. Os links patrocinados representaram um faturamento, em 2015, de US$ 75 bilhões, segundo dados da própria empresa.
O cenário continuou evoluindo e, em 2004, Mark Zuckerberg, criou a rede social Facebook conectando pessoas. Em 2007, foi lançado o primeiro smartphone, o Iphone, da Apple.
Mudanças com a chegada do smartphone
A chegada do mobile mudou um pouco o cenário, pois a internet passou a ser onipresente, 24 horas, não era mais necessário um desktop. O acesso podia ser feito na rua, no shopping, no cabeleireiro.
O smartphone fez com que o Facebook ganhasse força, pois as pessoas passaram a ficar mais tempo na rede social. Em setembro de 2012, segundo dados da Nielsen, elas passaram mais de seis horas no Facebook, contra 1 hora e 54 minutos no Google.
Essas duas ferramentas passaram a disputar um mercado bilionário, o da publicidade digital. Apesar de o faturamento do Facebook ainda ser inferior ao da Google, de US$ 17,93 bilhões contra US$ 75 bilhões, este vem crescendo. As pessoas ficam mais tempo na rede social e até se informam por lá.
Uma pesquisa da Rock Content de 2016 mostra que no Brasil, em 2015, cerca de 49% das organizações investiam em Facebook Ads. Nos primeiros meses deste ano, esse número cresceu para 54%. Já a quantidade de empresas que investem em Google Adwords caiu de 46% para 40%.
Apesar do faturamento, a Google se vê pressionada pelos concorrentes que saíram à frente no mobile. Embora a busca no desktop ainda seja relevante, há uma mudança forte para os celulares e a Google já sabe disso.
A partir desta explanação surge a seguinte questão:
Como será o futuro da publicidade digital?
A principal fronteira entre os negócios da Google e do Facebook são os Display Advertsing, só que em ambientes diferentes. A Google em sites parceiros e o Facebook na própria rede social em que as pessoas ficam, em média, mais de seis horas por mês. Isso muda tudo! Muda a forma como estas duas empresas enxergam a internet em longo prazo.
No caso da Google, por exemplo, desde o começo a empresa obtém sua receita por meio dos links patrocinados. Na busca, oferece vários resultados baseados em hiperlinks. As pessoas clicam e são direcionadas aos textos nos quais têm interesse.
No caso do Facebook, é importante a atenção do usuário fazendo com que fique cada vez mais tempo dentro da plataforma. Hoje, as pessoas assistem a vídeos completos dentro do Facebook, há jornais, como o The Guardian, em que não existem mais links. A notícia é lida dentro da própria rede social.
O Facebook investe também em um projeto em que as compras são feitas dentro da própria plataforma e no internet.org, que promete levar internet gratuita para os lugares mais afastados. No entanto, a internet levada é apenas acesso ao Facebook e seus parceiros. Dessa forma, muita gente passa a associar a ideia de Internet a Facebook.
Dito isso, surgem outros questionamentos. O que estas plataformas têm em comum? Volume de informações sobre os usuários. Em que diferem? Tempo de navegação do usuário. Ainda é muito cedo para falar sobre como será no futuro próximo, se vão dividir mercado, se transformar em um único negócio, se um vai ser predominante com a morte do outro, mas é bom as empresas começarem a pensar em cenários de mudanças assim e se prepararem.
Este texto foi feito em parceria com Renato Gazola, uma reflexão da disciplina Marketing Estratégico, do MBA em Marketing e Gestão da Comunicação em Mídias Digitais da ESPM.
Foto destaque: Shutterstock
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